Entrevista com a Profª Lúcia Ribeiro sobre o Memorial e sua relação com a Festa Junina

    

      Em entrevista com a Professora Lucia Ribeiro, que foi Diretora Pedagógica do Colégio por 23 anos e é a atual diretora do Memorial do Colégio Progresso. Foram feitas perguntas sobre a importância do memorial do Colégio Progresso e sua relação com a Festa Junina.

O que é um Memorial?
O Memorial é um espaço vivo, onde o passado e o presente se interagem para dar continuidade à história.
 
Porque o Memorial é tão importante?
É incontestável a importância da memória na formação cultural de um povo ou de uma sociedade. Todas as modernidades que vivemos hoje começaram num passado, quer seja ele distante ou próximo. Mas mesmo assim é equivocado pensar que a memória é só tradição e passado, porque são aos questionamentos do presente que a memória responde e não aos do passado. Sem dúvida é inegável a importância da presença do passado no presente para que o mundo continue evoluindo.
No caso do Memorial do Colégio Progresso, além de ser um espaço vivo e atuante, sua importância também esta nos 110 anos vividos como uma instituição dedicada à educação, que com o passar dos anos soube se modificar para atender sempre as necessidades exigidas pelo presente em que esta atuando. Em muitos momentos sua história se confunde com a história de Campinas, fato que vem despertando grande interesse de historiadores e pesquisadores da USP, da Unicamp e outras tantas instituições de Campinas e região. Só no ano passado, nosso acervo foi utilizado como fonte de pesquisa, para a elaboração de duas teses de mestrado e uma de doutorado, além de outros tipos de pesquisa.
 
O que tem no Memorial?
Atualmente nosso acervo possui 110.000 (cento e dez mil) documentos já catalogados incluindo documentos administrativos, documentos pedagógicos e correspondências de alunos, professores e diretores.
No item iconográfico (fotografias), mais de 7000 fotos que já foram higienizadas (limpas), organizadas e estão em fase de catalogação. Embora a grande maioria do acervo esteja em bom estado de conservação algumas fotografias da década de 10, 20 e 30 precisaram ser restauradas por especialistas. Ainda faltam algumas, porque o custo do restauro é bastante alto.
No item imagético (filmes, slides e DVD’s) e na hemeroteca (revistas e jornais) seus conteúdos foram apenas higienizados, portanto não podemos divulgar os números.O banco de história oral, que são depoimentos gravados de antigas diretoras, professoras e alunas, tem fornecido dados bastante interessantes e importantes, não só sobre o colégio, mas também sobre a história de Campinas a todos que o tem consultado. Objetos como quadros, pertences de Dona Emilia de Paiva Meira, pratos, talheres e tantos outros, também fazem parte de nosso acervo. Estes estão expostos e despertam muito o interesse principalmente dos alunos.
 
Porque a renda da Festa Junina será integralmente repassada para o Memorial?
Infelizmente no Brasil ainda não temos a cultura da valorização da memória, como acontece na grande maioria dos países mais desenvolvidos do mundo. Sendo assim a verba destinada para este tipo de projeto é muito escassa. Nestes quatro anos de existência do Memorial tem sido bastante difícil encontrar parceiros patrocinadores tanto nos órgãos públicos, como nos privados, que acreditam que investir na história é sempre um grande investimento para o país. O Colégio Progresso, sempre a frente de seu tempo, reconhecendo a importância dessa difícil tarefa, mais uma vez, como vem fazendo desde 2008, destinou o lucro da Festa Junina ao Memorial para que o trabalho não seja interrompido. 
 
Onde será aplicado o lucro da Festa Junina?
Esta é uma pergunta difícil de responder. São tantas as nossas necessidades, mas acredito que no momento a prioridade são as fotografias e a reposição de material de trabalho. Se der, pretendemos comprar um scanner. Também é preciso deixar em caixa algum dinheiro para as despesas extras que sempre aparecem durante o ano. Se o lucro for mais ou menos igual ao do ano passado R$ 4.000,00 (quatro mil reais), não vai dar para fazer quase nada. No ano passado foram gastos R$1.800,00(mil e oitocentos reais) na restauração de 300 fotografias.
Isso porque as fotos foram levadas para Poços de Caldas, porque se esse trabalho fosse feito no Centro de Memória da Unicamp, teria ficado muito mais caro.
 
 Como o Memorial sobrevive com tão pouca verba?
Realmente tem sido bastante difícil. Sem verba para pagar salários, atualmente todo serviço tem sido feito por estagiários da Faculdade de Biblioteconomia da PUCC. Em 2008, recebemos uma ajuda de custo do CNPq, via Unicamp que cobriu a compra de materiais e salário de profissionais especializados, por mais de um ano. Para este ano estamos na expectativa da aprovação de dois projetos enviados ao CNPq e ao Capes órgãos que destinam verbas para projetos culturais. O Memorial também aceita doações que podem ser feitas por empresas, ou pessoas que tenham interesse de estarem contribuindo para preservação da história.
 
Como funciona o memorial do Colégio?
O Memorial está sempre à disposição para pesquisas, estudos e visitas, de Segunda-Feira a Sexta-Feira, basta agendar a visita. Telefone para contato: (19) 3211-3820

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